SEMANA OLÍMPICA

02/09/2009 at 10:37 PM (Pedroca de Castro, Surf + Yôga)

Bem depois de passar o domingo literalmente de molho, pois o gelo no rosto molhava-me a face. Acordei na segunda-feira, bem melhor. Com o naso desinchado e afim de surfar, o dia era de sol e chamava para as pistas e fora de … Passei pelo treino da galera, para marcar a aula com a Isabel. Estavam treinando forte, largadas e o boarder cross. Na pista os de sempre, mais a equipe japonesa completa, disputavam o treino como se estivesse valendo pontos. Estava bonito de ver, os atletas descem numa velocidade incrível e quase sem vacilos. O nível dos esportes ditos radicais está cada vez mais elevado.

Descendo para Santiago

Descendo para Santiago

Bem fizemos nossa pratica à tarde, rodeados de atletas olímpicos e para-olímpicos. Pois todos queriam treinar. Algumas equipes como as de ski, Canadense e a Austríaca, acordavam as 5:30h para tomar café e em seguida ir pra pista. As 11:00h já haviam terminado seus treinos de neve e prontos para almoçar e passar a tarde no gym. Todas as equipes com seus treinadores, utilizando muito a corda slack-line (não sei se escrevi corretamente) eu tenho uma em casa. Os amigos argentinos deixaram pressa depois do Fest-Yôga de Floripa. É uma fita que esticamos entre dois pontos, para exercitar o equilíbrio, como mostra a foto.

Professor Pedroca de Castro - treinamento respiratório para atletas de alta performance

Professor Pedroca de Castro - treinamento respiratório para atletas de alta performance

Trabalhando, o que no condicionamento físico é o que há de mais atual, que é a propriocepcia. Caramba! Fiquei no Google 15 minutos agora e decidi dar minha própria definição de propriocepcia. Fiquem a vontade para contribuir. Ou seja, noções e domínio do seu corpo em situações de exigência, seja nos malabarismos dos esportes, seja na reabilitação de um atleta, resumindo consciência corporal. Já ouviram falar? Pois é Shiva já trata desse assunto, há mais de 5000 anos.

Terça-feira, ao me preparar para surfar ou seria snowboardear, melhor surfar né? A própria Isabel usa no seu msn “surfneve”, então vamos acatar a campeã. Bem voltando ao momento de entrar na montanha, encontrei o chefe dos instrutores de snow, ele me viu e do nada sugeriu ao Rodrigo, instrutor do Método DeROSE, que estava livre, à me acompanhar. Eu fiquei muito contente pois andar com um instrutor é muito bom, é puro aprendizado. Podemos comparar com o SwáSthya Yôga; é completamente diferente praticar sozinho ou com um instrutor habilitado e isso se aplica a tudo. Então fica a dica: contrate sempre aulas com pessoas habilitadas, na neve ou no bhávan.

Nossas praticas com a Isabel estavam chegando ao fim, em breve ela partiria para Chapelco, na Patagônia Argentina para as competições Sulamericana e Copa do Mundo. Os companheiros de treino em breve serão adversários, mas creio que em muitos esportes é assim. Os surfistas viajam sempre juntos e depois entram n’água pra competirem contra seus (nem sempre) amigos.

Quarta-feira, sem maiores novidades a não ser o último dia de treinos dos snowboarders. Andei com o binding da Kadri e confirmei a compra de mais esse equipamento dela. Biding que em espanhol se diz fixação, é mais uma das inúmeras indumentárias do esporte. Tem a função de fixar e prender nossos pés na prancha, que neste momento estão calçados com botas especiais, para deixar os pés bem firmes, confortáveis e ligeiramente inclinados a frente, como que em utthita pádásana.

Os equipamentos da Kadri, são todos suíços e sendo ela uma top mundial, os equipamentos são top de linha. Agora estou super bem equipado! Fechamos negócio e fomos nos despedir da trôupe que ia de Land Rover desde Valle Nevado até San Martín de Los Andes. Rumo ao sul passando por entre a Cordilheira dos Andes e as estepes patagônicas. Viagem esta em meio a pampas, montanhas e vulcões, passando por lagos quem emanam silêncio e convocam contemplação. A Patagônia abriga milhares de hectares da natureza em seu estado mais puro e intocável.

Acordei quinta-feira afim de sumir na montanha, tipo andar em lugares onde os outros da minha espécie não estariam. Só que isto é uma forma de expressão, aqui em Valle Nevado tem muitos fora de pistas, mas cada um tem que respeitar seus limites e andar em áreas isoladas; ou acompanhado ou já conhecendo o terreno. Como nenhuma das duas hipóteses se aplicava a meu momento, busquei o Valle Olímpico que é um fora de pista não tão remoto. Resolvi dropar mais pelo canto esquerdo do vale e para minha surpresa o canyon gigante que o Gabriel sempre mencionava era muito mais do que um bowl enorme que eu sempre avistava, mais nunca tinha me arriscado. Dropei ouvindo Xavier Rudd, entre seus acordes contei 65, não menos que 65 cavadas na base e rasgadas de front e back-side no lip dos múltiplos canyons em que se desdrobava, minha nova descoberta.

No quintal lá em casa o Sebastian, Instrutor argentino do Método DeROSE, que nos presenteou com a slack line, mostrando como se faz, no fundo a Lua minha companheira fiel

No quintal lá em casa o Sebastian, Instrutor argentino de snow, que nos presenteou com a slack line, mostrando como se faz, no fundo a Lua minha companheira fiel

A tarde voltei para um último surf, pois já percebi que em dias de sol é muito placenteiro andar no pôr-do-sol. No lift ao meu lado, sentou-se um colega de esporte, cada um com seu headphone. Mas quando nos entre olhamos uma segunda vez, foi natural sacarmos dos phones e iniciarmos um diálogo. Para minha surpresa o Jay era um snowboarder de Aspen Colorado, além de surfista, já tinho ido várias vezes ao Brasil. Enquanto o lift subia conversamos em inglês, espanhol e português. Fui logo percebendo que o cara dominava a prancha. Engraçado foi quando descemos do lift no topo da montanha e ele encontrou um amigo gringo também, ficaram comentando de um cara super fera entre os 3 melhores do mundo em free ride de ski, que havia chegado por aqui. Ai um falou pro outro, “é o cara é bom mesmo, mas já é a lit bit old, about 30”. Silenciosamente eu ri com meus 52, ah… se eles soubessem. Em seguida ele pediu minha sugestão de onde droparmos a última do dia e com minha nova paixão ainda pulsando, logo sugeri o big canyon. Foi muito bom ver o cara andando e segui-lo no bowl natural que forma esse canyon.

Nessa noite desci pra Santiago, na sexta-feira ia conduzir um treinamento de pránáyámas para atletas na unidade de Santiago. Aproveitei a manhã para ir a uma clinica fazer um check no meu nariz e ouvido, por causa do acidente do sábado e confirmei que estava 100% . Quando sai do metrô, uma liquidaçãozinha básica, me fez comprar um par de tênis por PCl $ 9.990,00 o que significa um investimento de R$ 38,00. Em seguida um super mercado para repor, meu estoque de laricas saudáveis. A noite foi muito boa, todos alunos presentes estavam interessados em melhorar sua capacidade pulmonar. A maioria surfista, outros atletas do cotidiano, e sabendo que as ondas chilenas estão entre as maiores e mais geladas do mundo, respirar era preciso. A sede do Método DeRose em Santiago é muito bem distribuída numa casa muito “bacan”, como fala a Valentina. Um bom chai, inclusive aprovadérrimo pelo embaixador Pradeep K., sempre esquenta as charlas na sala de convívio depois das aulas. Um dos alunos o Pablo, acaba de montar um business, que conheceu na Nova Zelândia, chamado Wicked Campers. E eu mais dois amigos e alunos, que chegarão de Floripa em meados de setembro, seremos um de seus 1ºs clientes. Ou seja ele está montando um frota de vans para alugar toda equipada, com cama que se transforma em mesa e bancos, cozinha e etc. E com ela vamos percorrer as olas de Chile. Nesse dia ele trouxe a Fiorino para eu conhecer, e no sábado ele e o Gabriel saíram com ela pra explorar o litoral enquanto eu subia de volta pro lar da montanha.

A Fiorino da wicked campers saindo do Método DeROSE em Santiago pro litoral

A Fiorino da wicked campers saindo da sede do Método DeROSE em Santiago pro litoral

Passei no super de manhã e comprei os ingredientes pro molho do nhoque, pois era dia 29 e mantenho essa tradição “muy placenteira” já fazem uns 20 anos. Ainda em Santiago, enquanto preparava o molho de tomates frescos, berinjela, gengibre e outras coisitas mais, assistia na internet os brasileiros quebrando as ondas no arquipélago dos Açores, num campeonato mundial do WQS. Ao chegar ao meu alojamento no Valle Nevado, onde tenho um pequeno fogão elétrico, coloquei os nhoques para esquentar, misturei com o molho e em seguida saboreei minha fortuna. Nesse dia abri mão de surfar, depois de fazer a digestão fui pro spá pensando em assistir a estréia do Real Madri na liga espanhola. E fui surpreendido com um partidaço da Inter de Milão, que enfiou um balaio na equipe do Milan, no clássico milanês. Deveriam ter uns 7 brasileiros pelo menos em campo, o que dá uma meia seleção canarinho.

Bem depois do sádhana, fiquei com alguns alunos fazendo pose pro fotógrafo do resort, pra atualizar o site com nossos ásanas. Mais tarde participei de uma festa na minha casa em Floripa via câmera do msn, vi minha cachorra Lua e ela me ouviu chamá-la pelo computador. Espero que não tenha ficado confusa em ouvir minha voz um mês depois de minha partida e não me ver.

Domingo foi dia de voltar a pista, um sol entre rajadas de vento e nuvens, mantinha uma boa visibilidade para desfrutar o snow. Busquei recantos, para o samyama, no topo do mundo e voltei ao canyon do Valle olímpico para finalizar a semana olímpica. Uma ótima pratica cheia de brazucas, encerrou minhas atividades da semana.

Texto do Professor Pedroca de Castro

www.pedrocadecastro.com

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