Semana Powder
Força, poder e energia; ditaram a semana. A neve que chegou na sexta dia 15, não se contentou com lançar 1 mt de altura e na segunda e terça voltou a nevar com vontade. Dobrando a altura de neve recém caída na montanha, com mais 1 mt de polvo ou powder, que é a melhor qualidade de neve que existe para surfar a montanha.
Segunda-feira também foi a 1ª vez que andei com o Gabriel, pois pelo fato de eu estar aqui substituindo-o, faz com que ele fique direto na sua escola em Santiago. Dessa vez ele iniciou um projeto, de aula laboral nas oficinas (departamentos) aqui do Resort. Depois das aulas da manhã, fomos finalmente surfar juntos. Os drops estavam demais, quando está powder, suas curvas levantam uma nuvem de powder. Ou seja sumimos no spray de neve que se levanta a cada curva ladeira abaixo ! Por algumas horas andamos quase sozinhos no outro lado da montanha, inclusive como tudo tem prós e contras a neve fofa permite muito prazer e algumas atoladas homéricas. Pois quando perdemos velocidade você literalmente afunda naqueles 1 a 2 mts de neve recém caída.

um lugar lindo para se morar!
Bem na terça nevou tanto, que não se enxergava a montanha da minha janela. Rolaram mais algumas aulas laborais e o resto do dia foi entre a aula da nossa campeã e dos hóspedes. Novidade na área eram as equipes dos continentes nortenhos, chegando pra temporada de treinos na América do Sul. Conhecemos umas meninas da equipe paraolímpica canadense , que praticam yôga regularmente. Fiquei super empolgado pra dar uma aula pra elas, só que os horários pareciam não coincidir. Fiquei só imaginando os ásanas pra galera, alguns não tinham os braços outros com pernas mecânicas, seria um desafio interessante. Depois uma sauninha básica, pra esquentar a alma e abrir o apetite pro jantar. No jantar tava rolando um burburinho na mesa dos instrutores de snowboard, bem faltou dizer que nevou tanto que a montanha ficou fechada para carros subirem ou descerem pra capital, até rolou uma avalanche que tirou uma das vans de transfer da estrada. Então o Gab não pode baixar e fomos conferir qual era o assunto dos pros. Bem sabe aquelas cenas de todo filme de snow, onde a galera fica fazendo saltos a noite. Isso depois de trabalhar com as pás construindo rampas para treinar saltos com loopings, backflips etc. Bem pra vocês imaginarem, daqui da frente do alojamento, que é puro asfalto já saímos engatados e deslizando nossas pranchas na fria noite de inverno. No começo me senti meio na duvida, “should I stay or should I go “, saltos e malabarismos não é o meu forte nem na montanha nem no mar. Faço o que chamamos de old school, aquele surfe que valoriza as linhas e velocidade. Mas ao chegar no pico constatei que os feras, estavam preparando uma rampa bem maior e haviam abandonado a rampa inicial, que me caiu como uma luva. Primeiro porque o público e os flashes, estavam todos voltados para outra rampa e pude desfrutar de vários saltos sem o desconforto de pagar mico pra galera.
Depois porque para minha surpresa, me sai bem nos saltos, tinha uns 3 bem mais neófitos que eu , o Gab já mais experiente dava seus 360º e backsides no ar. Depois ficamos vendo os saltos espetaculares dos novos amigos, isso até que a policia ou melhor os seguranças do Resort chegaram, acabando com a brincadeira underground da galera. Parecia aquela coisa de raxa, proibida e cada um saiu andando prum lado. De cabeça feita fomos dormir e sonhar com um dia de sol, que é tudo que um snowboarder deseja depois de uma nevasca e foi exatamente o que aconteceu na quarta.
Um dia pra não se esquecer, na verdade ainda melhor que o domingo passado. Portanto o melhor dia da temporada, a semana estava abençoada. O treino da noite anterior, me ajudou a acompanhar os saltos do Gabriel montanha abaixo, inclusive arriscando saltos mais ousados, velozes e furiosos. Bem nem tão altos, se comparando com os que víamos a galera embaixo fazer, cada vez que subíamos os lifts. À tarde fizemos o Valle Olímpico, que é o supra-sumo entre os fora de pista do Valle, pra fechar um dia literalmente olímpico. A estrada abriu e o Gabriel pode finalmente descer pra Santiago e salvar a Valentina, que já estava cuidando de todas as aulas sozinha há 3 dias e ajudar no Sat-Chakra. Eu até que fiquei na tentação do circulo de energia, mas havia marcado uma 1ª aula pras massagistas do Spá nesta noite e também não queria correr o risco de perder o day after .

- Isabel e Pedroca, foto de Luciano Cian
Que foi incrível, quinta-feira, comecei o dia no Valle Olímpico e depois parti pra vários fora de pista irados. Fora de pista é onde as maquinas não passam e a neve fica powder até que comece a derreter. Bem minha prancha nova, agora estava toda riscada dos drops em áreas desconhecidas mas os drops valeram cada arranhão. O Fitness do spá, que na verdade é uma mini academia, estava cada dia mais cheio de atletas olímpicos e para-olimpicos. Equipes da Áustria, EUA, Canadá, Japão, etc. Todos treinando para as olimpíadas de inverno que ocorrerão em Vancouver, Canadá no próximo mês de fevereiro e março as para-olimpíadas e alguns também pras Copas Sulamericana e do Mundo de Snowboard , mês que vem. Nossos treinos com a Isabel Clark, vão se aprimorando e aprofundando a cada dia. Ela se encontra em 12º no ranking mundial, onde classificam-se as 24 melhores par os olimpic games. Falando em games durante a semana a TV, exibiu os X-Games, me pergunto aonde vamos parar ? Vi a etapa de motos, os caras tão usando as motos como se fossem skates, saltando e fazendo as motorbikes girarem em dois eixos diferentes e depois literalmente catando a moto no ar, pra completar sua performance diante de um publico extasiado.
Sexta-feira amanheceu nevando e o tempo nublado não permitiu descidas prazerosas. Fiquei pouco tempo na pista, acompanhando uns amigos brasucas que estavam em seu último dia. Eles foram sortudos e apesar de dois dias sem surfar por excesso de neve, pegaram a melhor semana da temporada. A noite rolou a segunda pratica com o pessoal do spá e o quórum aumentou de 6 para 8 praticantes, opa a turma está aumentando e fidelizando. Depois da aula encontrei 3 membros da equipe para-olimpica,demos muitas risadas um deles o Luke era um figura, da sua cadeira de rodas me convidava pra se juntar a eles, anunciando-se como uma pessoa muito divertida. Já o Sam mais introvertido dizia que ele não era tão divertido assim e a Vivian chegou me cumprimentando sem nenhum constrangimento se anunciando cega. Fiquei com eles um tempo de alto astral na noite e quando o frio, que eles nem sentiam, tomou conta de mim fui me recolher e eles pro bar.
Sábado, bem sábado a montanha venceu. Parti fissurado e confiante, engatando a prancha num fora de pista, avistei um zorro. É um animal nativo, parecendo-se com uma raposa, ficamos nos entreolhando por alguns minutos até que ele tomou a coragem de passar pela minha frente em direção aos seus afazeres. A visibilidade não era a melhor mas a qualidade da neve estava top, parti pras pistas de trás da montanha, onde eu já havia adquirido conhecimento no decorrer da semana. Quando decidi ir pra ultima descida, dica: nunca devemos pensar em dar uma ultima surfada, nem na montanha nem no mar. O lance é simplesmente surfar e sair, amarradão. Bem voltando a tal ultima descida, escolhi um lugar novo para baixar. Vi que tinha umas pedras à serem desviadas e depois o trajeto montanha abaixo era livre e branco. Então tomei as devidas precauções para iniciar o trajeto e depois que passei as pedras, botei a prancha reto pra baixo, o que a faz acelerar.
Derrepente não mais que derrepente, minha cara ou seja nariz, boca e face estavam todos dormentes. O liquido vermelho e quente escorria nariz abaixo, minha 1ª reação foi enfiar neve na cara, estava tão dormente que fiquei uuns 15 a 20 min. sem tirar do rosto um novo punhado de neve, que trocava a cada minuto. Em seguida olhei em volta e analisando a situação vi um caminho acima de mim, caminho são pistas de baixa velocidade que vão cruzando a montanha para levar os iniciantes ou os que queiram uma descida mais suave de volta a base. Bem o que aconteceu é que sem conhecer essa descida e sem visibilidade com tudo branco, esse caminho cruzou o meu caminho. Ladeira abaixo e sem ver, voei de uma pista super macia pra um caminho pisado pela maquina ou seja duro, o impacto deve ter feito meu corpo flexionar fortemente e bater com o nariz no joelho. Bem me arrastei até esse caminho e percebi que deveria continuar com a sessão de gelo. Nariz sangra muito, e o gelo foi a melhor coisa que fiz. Quando vi que passava um ou outro esquiador por esse caminho, resolvi pedir pra alguém ver como estava minha lata. Bem o gringo me tranqüilizou e falou “acho que não fraturou mas está cortado seu nariz “, beleza me tranqüilizei e preparei para encarar a caminhada até um posto dos pisteiros. La me fizeram curativo, um falou que eu precisaria de pontos outro falou que não. Bem nariz, nariz não é lugar de se dar pontos, no máximo uma pequena cicatriz vai tatuar essa lembrança. Falando em lembrança são 1:30 hs da manhã e meu despertador acaba de me lembrar que é hora tomar o último anti-inflamatório do meu tratamento e também que já é hora de dormir. Então chega de contar detalhes desse pequeno acidente, já estou bem melhor. Inclusive depois do ocorrido, que foi ontem, sábado as 13 hs eu já dei 4 aulas e me encontro sem nenhum desconforto, além do sono.
Domingo foi dia de molho, muito gelo de manhã entre leituras, refeições e aulas. Ah hoje o gym estava lotado de atletas, cada equipe com seus treinadores e treinamentos. Mas o nosso sádhana com a Isabel, atraia atenção de todos.
SwáSthya neles !
Texto do Professor Pedroca de Castro
www.pedrocadecastro.com
Gostou? Agende uma aula experimental!
mastodi disse,
13/09/2009 às 4:51 PM
Your article posted in here has really blown me away, I didn’t know there was such thing like that going on at the moment, highly recommended reading. Good Stuff, keep it up !
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